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domingo, 15 de junho de 2014

Ao homem que queria uma filha


Amado nossa felicidade se encontrou com o amor
que de repente
se foi.

Os momentos de prazer e descoberta nos  envolveram
no encantamento: eu, adolescente na vida, você o Sr. Lobo pronto a ensinar os mistérios
que envolvem a mulher - o primeiro sexo.

E, o meu amor se fez amor
O meu ser se fez encantamento
em busca de cada fibra sua
para me amar.

Mas, de repente, o sonho despencou
porque
não era apenas sexo
Mas faltou a doce formosura da paixão
para eternizar a filha que não nasceu.

E, de repente, não mais que de repente,
a luz da paixão se apagou.
E restou o sonho lindo que se foi - Cristina.
A filha eterna que não nasceu.





quinta-feira, 5 de junho de 2014

Poema da luz


Sou luz que encanta
mas desencanta quando me quer feliz
Sou luz escura porque me fizeste infeliz
Sou brilho fugaz fora do espaço de tua luz:
infeliz porque me falta o brilho do teu carinho
Amor
Eu quero amor minha luz
Meu amor - feliz
Me desencanta e me faz amor
Meu amor
Só quero você minha luz
que me faz feliz
Só quero você minha luz
que me desencanta
e me faz feliz
Tão feliz
Meu amor, minha luz.

(Para  Victor e Leo musicar e cantar)

sábado, 31 de maio de 2014

Poema


Sou filha Marina, a segunda das meninas do amor que permitiu o amor de nascer:
Leonel
Irineu Ozires
Percy
E deles muitas outras paixões e filhos são amores
que envolvem o coração da família.
E Maria assim batizada, meninhinha-bebê antes de nascer, primeira filha do amor de meus pais, Deus a levou. Mas ela mora no meu coração.
Porque papai e mamãe sempre se amaram e lhe deram a vida e, logo depois, a mim
e três outros filhinhos.
E a vida abençoou o amor de papai e mamãe.


Solidão


De repente na solidão
Vejo luzes e amores
resplandecentes que cantam a esquerda da vida.
Quero ser feliz, mas não consigo
porque há infelicidades por todo lado.
Sei, no entanto, que minha felicidade está prometida.
Por isso, canto o amor de todos os amores
Os amores da minha paixão
E das paixões por todos os amores que habitam o coração
daqueles que amam o amor assim como eu: solidão.




Nada mais vale a pena?

Crônica

             Perdoe-me, poeta, do “Tudo vale a pena, se a alma não é pequena,” Fernando Pessoa.
            Ensinei minha alma não se tornar pequena, e, acredito que, outras, se abraçaram a mim na mesma comunhão, sonhadoramente, nesse mundo controverso e conturbado.
            Caóticas são nossas incertezas, por que será? Por que nos decepcionamos na busca de sentidos para resolver nossas indagações e crenças?
Oscar Wilde afirma: “Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe”. Será que esse é o medo? Apenas existir?
 E viver, quantos conseguem - realmente?
Perco-me na angústia quando vejo as almas confabulando para a venda dos bens sagrados – os valores: o sonho, a dignidade, a verdade, a cidadania, a família, a educação, o amor.
 Nesses tempos tumultuados e de corrupção, despudoramento, malandragens, falcatruas, e tantos eteceteras, não se sabe mais se é a questão do “Ser ou não Ser, eis a questão”?(original em inglês: To be or not to be, that's the question), da peça teatral (A tragédia de Hamlet, príncipe da Dinamarca, de William Shakespeare). Shakespeare escreveu magistralmente sobre o poder e tragédias advindas das circunstâncias, sejamos ou não da realeza corrupta.
Certamente o que sei é pouco.  E esse pouco é muito porque sou capaz de enxergar a morte dos ideais - tragédia que nos assoberba dia a dia.  E nela vejo muitas vezes os sonhos de tantas pessoas mergulharem nas profundezas dos seres insanos, incapazes de destronar indubitavelmente os males e a gravidade que lhes ferra os sentidos.
Que pena! Será que nada mais vale a pena? Devemos nos submeter as asperezas daqueles privilegiados que extorquem a liberdade e produzem os delinquentes?
Recuso-me a acreditar que isto seja verdade em face da beleza que ainda mora no meu coração, nas crenças e aprendizagens, que sempre estiveram comigo. Luto com todas as fibras que arrebatam o mais profundo da minh’alma, do meu “Eu” - da minha solidão interior - que me deixa, às vezes, alheia, porque preciso entender o que não quero para mim no ambiente de aprendizagem em que estou inserida, e que me leva a questionar: Nada mais vale a pena, na escola? A escola é uma farsa: parece ser apenas um espaço de aprendizagem? De profissionais pouco comprometidos? De alunos que não querem aprender?
Debato-me contra tais constatações. Mas reconheço as dificuldades enfrentadas na escola. Ainda assim, ela é minha casa de desafio.  E acredito que venceremos o descrédito, a deseducação, o descaso, a incompetência que nos são atribuídas, com professores competentes que buscam na leitura e pesquisa soluções para resolver as dificuldades de aprendizagem e ambientação escolar – planejando as aulas, discutindo ações e aprendizagens com alunos e colegas das diferentes disciplinas.
E que tenham, além de conhecimentos de sua disciplina, metodologia e recursos didáticos, o bom senso para resolver situações pontuais que se apresentam diariamente na sala de aula. Acredito muito no trabalho de profissionais comprometidos com a causa da educação e que ofereçam subsídios para que os alunos realmente aprendam e se tornem pessoas autossuficientes em suas aprendizagens.
Além disso, creio ser necessário suplantar a postura profissional que reforça a lógica que nos transforma em mártires desvalidos e sofredores em vista das circunstâncias: sociais, filosóficas, financeiras, etc. E as dificuldades de muitos para ensinar para “um mundo melhor”, diante da perversão do que nos apresentam como suposta causa para ser defendida: “Pensar dá muito trabalho”. “Estudar, mais ainda” “Aprender sobre a realidade exige esforço e tempo, coisas mais raras no mundo moderno.” Rodrigo Constantino. Esquerda caviar, p. 49.
E, assim, após tantas reflexões, quando miro nos olhos dos adolescentes e dos jovens(rebeldes ou não) que olham para mim, ou, até daqueles que permanecem de olhos cabisbaixos para receber elogios, ou, quiçá, a reprimenda – penso que gostaria de ser muito maluca a ponto de gritar algumas verdades(não, apenas, para eles). Contudo, é comum as pessoas fugirem de suas responsabilidades porque a realidade é tão difusa que não é possível pagar o preço. Mas isto me custa horas de sono e de estudos para entender a sociedade e o país em que vivemos onde a alienação é constante em nome da democracia. Nela os alunos estão inseridos com seu olhar inconformado ou de desdém causando descrédito, polêmica e debate.  Outros, na frivolidade e arrogância, divertem-se na banalidade e pouco caso, sentindo-se menos responsáveis por seus próprios atos perante toda e qualquer regra que venha preservar os bons costumes e valores apregoados na sociedade das minorias. O importante é se sentir diferente. Embora poucos saibam o que isto significa.
  Há pouco espaço para a geração ”nem isto, nem aquilo” livrar-se do esnobismo e arrogância, e colocar-se frente a frente à realidade que os cerca assumindo compromissos.
Falta espaço para a escola compreender tal geração. Falta espaço principalmente para a própria geração se entender.



terça-feira, 27 de maio de 2014

E de repente


E de repente o medo
alguém sempre está me vigiando
na calada da noite
na solidão das minhas palavras.
Estou só.
E a solidão é a  pior forma de castigo
Na noite.
Na noite onde resta apenas
solidão.


segunda-feira, 19 de maio de 2014

As bem-amadas, rainhas do lar


Crônica

Profª  Pedagoga - Marina Niceia Cunha
 Colégio Estadual de Marmeleiro-Ensino Fundamental e Médio

            Ao sairmos da sala onde houve discussão sobre o gerenciamento da família e, consequentemente, dos filhos, percebeu-se que a tarefa ainda é árdua para muitas mulheres, apesar de estarmos no século XXI.
            Postamo-nos incrédulas, sobre o comentário de uma delas do quanto se sentia em dificuldade para equilibrar o trabalho que exercia fora do lar e seus “deveres de dona de casa”. Marido e filhos não lhes davam descanso. Nada de colaboração no lar: porque homens não podem fazer nenhuma tarefa doméstica. “Isto é coisa de mulher”, de acordo com o marido e concepção repassada aos filhos automaticamente.
            Segundo a Psicóloga Lígia Guerra “muitas vezes a própria mulher colabora para este conceito, pois faz distinção em casa entre as tarefas dos meninos e das meninas”. Meninas ajudam a lavar a louça, limpar a casa, etc. Meninos ficam na sala com o pai vendo televisão ou jogando vídeo game.
            Dias atrás um aluno me falou: “lá em casa, minhas irmãs são da mãe; eu e meus irmãos somos do pai. - É assim pedagoga, vamos “co” pai ao futebol e pescar. A mãe vai passear “co as” meninas no shopping e fazer as unhas. Suspirei. E empreendi uma conversa X. Outro me disse: “Minha mãe não trabalha”. Como assim, interpelei. – “Ela cuida da casa e faz comida”. Mais um: - “Minha mãe, não faz nada”. Só dorme no sofá. “Nós temos que fazer o serviço”. – Verdade? Explique-me: - “Tenho um irmão que”... bem, a mãe não consegue dormir à noite pra cuidar dele”.
            Atualmente ainda perduram “as rainhas do lar”, expressão que surgiu durante o século XVII entre a burguesia.  Resgatei-a desses velhos tempos em que a mãe era submissa ao marido e nem tinha direito de amamentar os filhos porque existiam as amas de leite, geralmente, negras.  As escravas negras dividiam obrigatoriamente o leite com o filho da sinhazinha. Primeiro deviam amamentar o filho da Casa Grande, depois o seu. Enquanto isso, a sinhazinha mãe, mal via o filho. Bastava para algumas mulheres desse tempo enfeitar os salões de festas na companhia do ” senhor seu marido”. É claro que muitas no decorrer da história se rebelaram.
Nessa retrospectiva trouxe a história da mulher-mãe para o tempo em que a família é a “célula da sociedade”, conceito empregado nos livros de Educação Moral e Cívica, 1969, em pleno regime militar. (Em 1970, disciplina obrigatória nas 5ªs e 6ªs séries do Curso Ginasial).  A mãe, batalhadora por seus direitos no mercado de trabalho, mas, tímida e, ainda, submissa, porém responsável de educar e ensinar os filhos - encontrava-se encarcerada -, embora já se estivessem “queimados os sutiãs em praça pública”, e a pílula surgira milagrosamente como sinônimo de liberação sexual e controle da natalidade. Mais a onda do feminismo(movimento social, filosófico e político) que pregava a libertação da mulher de padrões opressores baseados em normas de gênero causou grande impacto e mudanças na sociedade da época refletindo-se, inclusive, nos dias de hoje.
Nesse desenrolar, o pai, historicamente, figura austera, cujo papel era impor sua vontade, e por ordem no lar, paralisou-se por alguns tempos, isto é, descaracterizou-se, frente a essa nova realidade aos moldes femininos, cuja primeira onda teria ocorrido no século XIX e início do século XX, a segunda nas décadas de 1960 e 1970 e a terceira da década de 1990 até a atualidade. (Wikipédia. A enciclopédia livre).
            Após as reflexões históricas já conhecidas, volto à personagem submissa e sem nexo de como conduzir a família para que a respeitassem, que me fez escrever esta crônica, e as mulheres presentes naquele espaço de discussão que se voltaram imediatamente ao “pobre” marido, desconsiderando-o devido suas atitudes machistas, o qual passou a ser acusado de vários adjetivos que  é melhor não citá-los. Mas, segundo, ainda, Lígia Guerra, há homens que se submetem à esposa, tornando-se nulos e explorados pela mesma a ponto dos papéis se inverterem. O homem deixa inclusive de ter profissão para fazer o papel de “dono de casa”. Isto se deve, às vezes, a forma como foi educado pela genitora e também como agia na família o pai. Observam-se, então, no século XXI, reflexo de outros tempos no papel masculino como marido e pai: ora ele é machista, ora é “pobre coitado”, sem vontade própria, na análise feminina, conforme se percebe nas colocações citadas neste texto.
  Enfim, a coisa cheia de graça realmente aconteceu quando após a fatídica reunião, que gerou essa análise, surgiu a partir do momento que, cada uma compara o próprio marido com o da outra em relação, ao esposo da minha personagem. Maridos mais ou menos maravilhosos devido a este ou aquele desempenho doméstico, eram enumerados. E consideraram-se as bem-amadas, profissionalizadas comparando-se a mulher que se lamentou.  Os risos se sucederam... (Melhor mesmo levar na brincadeira, embora saibamos que a questão é séria).
Imagine leitor, eu, solteira, no meio de tantos risos e agraciamento das bem-
casadas aos maridos. Sorriso a meia boca, ria não sei de quê.  Na verdade uma anônima ali, circunstancialmente.   Meio sem graça, deixei de lado meu silêncio e disse-lhes:
 - Meu pai quando nasci dispensou “a comadre” que vinha dar banho em mim. Tradição esta mantida após o parto(em casa). Uma senhora de idade banhava diariamente a criança até a mãe se recuperar. Geralmente era convidada depois para ser madrinha, ou, então, a parteira.
 - “Eu mesmo banho minha filha”... E tomou conta da casa, da mulher e da filha, isto, em 1952.
Saí de fininho da sala, porque todas se divertiam com seus próprios comentários sobre os cônjuges, as rainhas do lar, as bem-amadas, resolvidas.  Quem iria dar atenção às colocações de uma mulher solteira - por opção - sobre as qualidades de um homem – meu pai, além do seu tempo?      

Publicada no Jornal de Beltrão, 18 de maio 2014.