Hora certa!

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sábado, 20 de julho de 2013

Sou vida
Sou flor
Sou rosa no meu  jardim
Por isso vivo na terra em mim.
Quando o amor das ilusões se acaba:
Restam-nos as lembranças.
A saudade distante.
A solidão.
A frieza embolada em palavras disfarçadas.
Só eu e você sabemos.
As respostas para o antigo amor é para o amor que já foi paixão.
Tudo morreu em nosso coração.
Hoje nos designamos colegas.




sábado, 29 de junho de 2013

De repente me sinto
meio amada
meio perdida.
Só quero amor - nunca paixão.
Sozinha
Leio livros
que me ensinam
que você é amor
Mas pode ser paixão.
Enquanto isso - Amor
Colho as flores do nosso futuro jardim.



Deleito-me de paixão
Estou tão cega
que não enxergo
o exagero da paixão
que me envolve a alma.
Mas. De repente...Cansei!
Vou cuidar das flores do meu jardim.


“Ainda que eu falasse a língua dos homens
E falasse a língua dos anjos
Sem amor eu nada seria...”.
Monte Castelo
Renato Russo

Meus sonhos
                                                       
Meus moinhos de vento.
Meus sonhos movem meus moinhos de sonhos
Meus moinhos de farinha de beiju.
Meus sonhos
Meus moinhos
Carrego nas costas as sacas de farinha pra moer os sonhos
Depositados no monjolo.
Não sou mais Dom Quixote.
Onde estão meus sonhos?
Morreram os moinhos d’ água
Morreram os soques de farinha
Morreram os monjolos
Os beijus torradinhos com açúcar das minhas avós: Maria Rodrigues Carneiro e Alvina Sheffler Cunha.
Beijus de paixão no calor do forno, um sacrifício para a mulher desse tempo.
Mas satisfação à mesa quando a família se fartava.
E como posso esquecer ainda as palavras da minha mãe que me conta sempre que recordamos as histórias da família. Viajamos pelo o sapeco da erva-mate lá pras bandas de Valinhos(Guaraúna)
das minhas avós e bisavós.Avôs e bisavôs.
Meus pais: João e Emília.
É a história que agora conheço.
Morreu a tradição. O mundo dos sonhos? Da família? Não. Porque outros sonhos que sonhamos e outras vidas estão vivos pra amar as outras vidas que amaram os sonhos da família.
E agora o que resta são os moinhos de vento
Eólicos
Luto mais contra esses moinhos de vento que atormentam meus sonhos
E busco neles o sonho de encantamento de uma história de amor de Dulcinéia
Cadê meu Dom Quixote?
Cadê meu escudeiro Sancho Pança?
Cadê meus sonhos? Cadê?
                                             Anoitecer no fundo do meu quintal

O QUE É SER MULHER?

Não sei.
Aprendi e li muitos conceitos
De ser mulher.
Quanto a mim
Se posso confessar:
Sou contradição.
O que sei é que sou Mulher, apenas Mulher.
Mulher que acredita no poder de ser mulher.
Já fui criança; adolescente menina-moça
Moça, e finalmente, Mulher.
Com todas as contradições e sonhos da criança,
 da menina, da adolescente menina-moça pronta pra ser Mulher.
Sou Mulher
.
Sou
                                                                                             Sonhos de menina:
- Príncipe encantado.
Amado amante. Ilusões.
E de repente, me fiz Mulher.
Fizeram-me mulher nos sonhos, nas ilusões, no tempo...
No corpo.

E o príncipe sumiu.

E hoje
Sou Mulher por você.
Nos meus ideais e ideias.
Na compreensão de Ser e Viver
Naquilo que acredito.
Sou Mulher todo dia e toda noite.
Sou Mulher porque acredito
em minhas possibilidades
de vencer.
E não me submeto
Luto por um mundo melhor
e por mim
luto e debato-me,
debato-me e luto.
Sou você. Sou mulher e pronto.
É preciso dizer mais?
Sou Mulher por você.

domingo, 26 de maio de 2013

Conto que conto de Marmeleiro

Mata fechada. O cheiro de pinheiros recendia por entre as árvores que se desenhavam sob a luz do sol num céu azul cinzento e frio de junho. O solo estava úmido da chuva que caíra durante a noite. A umidade dava brilho às pequenas plantas coloridas rastejantes que se alimentavam da clorofila. Animais se divertiam de lá para cá se alimentando dos pinhões que caíam despretensiosamente povoando a terra com seus frutos. Os tatetos então faziam a festa! Podia-se ouvir ao longe o canto da gralha azul.
De repente o rugido da onça pintada causou um reboliço danado entre os bichos que desabalaram por entre a mata, cada um procurando salvar-se do terrível felino que estava à caça para alimentar-se e aos filhotes esfomeados pela falta de alimentação naquele inverno do ano 1800.
 A chuva castigava a mata que vergava sem proteção deitando-se sobre a terra molhada.  A água distribuía poças entre galhos, folhas e flores que aos poucos fugiam como meninas desobedientes e corriam em busca de novos espaços – um riozinho aqui, outro ali esburacara a terra. A terra indefesa então se abria às águas lentamente desafiando aquele mundão de mata verde abençoadas pelo sol e pelas estrelas. E uma nascente se formou. E aos poucos a água cristalina desceu desabaladamente as encostas, rompendo barreiras, abrindo espaço para vencer os desafios de se transformar em rio.
E a Terra girou e as estações se sucederam. O rio cresceu sulcando os espaços por onde passava... Às suas margens novas plantas e árvores floresciam. Era tanta riqueza em fauna e flora por ali, que surgira um mundo sobrenatural naquelas matas a ser descoberto.
E o que mais encantava a beira do rio eram as árvores de folhas pequenas e muito verdes que cresciam à sua margem. Os pássaros dançavam ao seu redor e fazia os ninhos entre os galhos frondosos do marmeleiro, a árvore verde sob o céu azul.
De repente passos rápidos quebraram o silêncio da mata. Tudo se aquietou para ouvir além do barulho das águas que corriam silenciosas, aqueles passos que não se importavam com os obstáculos que lhes impunha a natureza.
 As pequenas passadas ligeiras deixavam para trás marcas de sua passagem. Um e mais outro, e outro, e mais outro. E no final da trilha na curvatura do rio ouviam-se vozes e mais vozes incompreensíveis, mas que comandavam várias pessoas.
 Via-se no banquete a disputa do tateto sem vida. À espreita a onça. Os pássaros se aquietaram nas árvores. O sol se quebrava por entre as árvores de marmeleiro.
Os homens nus de corpos ágeis e pintados de urucum dançaram após a refeição num ritual de conquista e satisfação. As mulheres de cabelos negros e olhos brilhantes tinham sinais de sangue marcado no rosto e no peito, símbolo da caça que realizaram. O desafio marcava suas faces queimadas de sol.
 Após a refeição, os guerreiros se retiraram sem olhar para elas. E avançaram pela mata cavando um longo túnel para proteção da aldeia. As mulheres se juntaram à beira do rio para lavar o milho que adormecera por alguns dias nos cestos de palha. Os grãos esperavam o calor do fogo. O cheiro de milho assado e batido no soque pelas mãos das mulheres da aldeia espalhou-se ao longo do rio. Gritos de alegria se ouviam ao longe...
 Mas, de repente uma chuva fina e fria despencou por sobre as árvores e aos poucos os trovões e raios do deus Tupã apavoraram os desbravadores da terra de marmeleiro. Era tanta água! E o rio foi serpenteando e tomando outros espaços. Os curumins já não podiam mais pescar. Todos se aquietaram nas ocas esperando o deus da chuva se acalmar. A chuva desabara o túnel de proteção da aldeia.
E no verão os jovens guerreiros Caigangues deram seu grito de guerra. E ao redor do rio podia-se ver o marmeleiro, o ipê amarelo, a erva-mate, o angico, a palmeira, a samambaia, as amoras, o caraguatá, o marmeleiro...
Porém, agora só restava a batalha da disputa. E aos poucos os índios e os bugres foram desmatando novos caminhos à procura de Naipi, a deusa das águas, a índia mais bela dos Caigangues, que se banhara nas águas do rio Marmeleiro, abençoando todas as árvores ao seu redor.
 Mas Naipi andou de lá para cá e de cá para lá com sua tribo e se entregou ao amor de Tarobá e se transformou em uma rocha das Cataratas do Iguaçu e ele numa palmeira – ambos castigados por se amarem e desafiarem Mboi, o deus de forma de serpente.
E as histórias se sucederam...
De repente se ouviu ao longe a batida do facão cortando as matas, a foice e o machado singravam o céu. Árvores caíam. A gralha azul voou desabaladamente. Pequenas casas se organizavam ao longo do rio.  Vozes se agitavam. O carro de boi avançava. Gritos. Lamentos. Um choro de criança cortou a imensidão... Nova vida. Outras histórias...
Enquanto isso o rio Marmeleiro continuou margeando as diversas terras enquanto outros rios e terras com ele se juntaram e passaram a contar suas lendas no Sudoeste do Paraná.

Foto 1. Sol Poente- Pinheiros no antigo campo da CEM
Foto 2. Anoitecer - Rua Telmo Octávio Muller.
Fotos: Marina