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terça-feira, 31 de julho de 2012

sexta-feira, 27 de julho de 2012


Será que existe uma flor maior
Maior que meus sentimentos
cujo perfume inebriou nosso amor
no momento de êxtase
em que me dei a Você?
Doçura profunda de paixão
Encantamento doído de descoberta
Só Eu e Você
Aprisionados num momento de magia
Infinita – Eterna – Poesia do amor entre Você e Eu
 Nós -  num desleixo de Paixão.

De repente
Há quem diga que o amor não morreu
Porque a vida é assim
Há os que amam
E outros que desamam
Mas que vivem presos em mim.
Medo

Nasci do medo num momento qualquer
Vivo por medo essa vida esdrúxula
Que me impuseram nesses cantos obscuros
Do mais profundo útero
que me deu a vida.

Ando pela vida, olho de soslaio o Sol que brilha
E tenho medo que me mate seus fulgores...
Quedo-me nas brancas nuvens de sonhos
À procura de quem me diga
Como evitar o medo que me assola a alma
A angústia de quem vive, mas já morreu.
                                         

segunda-feira, 16 de julho de 2012

SOLIDÃO

E, de repente...
me transformo e me torno
em negrito.
Me canso de tanto tempo sem mim
sem você
e me busco pra além de todos os horizontes
da solidão
embora já vislumbre o brilho do Sol
e da Lua
me vejo na distante estrela perdida no espaço
num espaço qualquer
de solidão infinita desta noite
sem fim.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Poemetos

Às vezes me pinto nuvem
Às vezes me pinto estrela
Às vezes me pinto vida
Só pra te amar.

Mas, de repente...

alguém pisca
rabisca meu
coração.
                                                                  
                     Conto que conto de Marmeleiro

Mata fechada. O cheiro de pinheiros recendia por entre as árvores que se desenhavam sob a luz do sol num céu azul cinzento e frio de junho. O solo estava úmido da chuva que caíra durante a noite. A umidade dava brilho às pequenas plantas coloridas rastejantes que se alimentavam da clorofila. Animais se divertiam de lá para cá se alimentando dos pinhões que caíam despretensiosamente povoando a terra com seus frutos. Os tatetos então faziam a festa! Podia-se ouvir ao longe o canto da gralha azul.
De repente o rugido da onça pintada causou um reboliço danado entre os bichos que desabalaram por entre a mata, cada um procurando salvar-se do terrível felino que estava à caça para alimentar-se e aos filhotes esfomeados pela falta de alimentação naquele inverno do ano 1800.
 A chuva castigava a mata que vergava sem proteção deitando-se sobre a terra molhada.  A água distribuía poças entre galhos, folhas e flores que aos poucos fugiam como meninas desobedientes e corriam em busca de novos espaços – um riozinho aqui, outro ali esburacara a terra. A terra indefesa então se abria às águas lentamente desafiando aquele mundão de mata verde abençoadas pelo sol e pelas estrelas. E uma nascente se formou. E aos poucos a água cristalina desceu desabaladamente as encostas, rompendo barreiras, abrindo espaço para vencer os desafios de se transformar em rio.
E a Terra girou e as estações se sucederam. O rio cresceu sulcando os espaços por onde passava... Às suas margens novas plantas e árvores floresciam. Era tanta riqueza em fauna e flora por ali, que surgira um mundo sobrenatural naquelas matas a ser descoberto.
E o que mais encantava a beira do rio eram as árvores de folhas pequenas e muito verdes que cresciam à sua margem. Os pássaros dançavam ao seu redor e fazia os ninhos entre os galhos frondosos do marmeleiro, a árvore verde sob o céu azul.
De repente passos rápidos quebraram o silêncio da mata. Tudo se aquietou para ouvir além do barulho das águas que corriam silenciosas, aqueles passos que não se importavam com os obstáculos que lhes impunha a natureza.
 As pequenas passadas ligeiras deixavam para trás marcas de sua passagem. Um e mais outro, e outro, e mais outro. E no final da trilha na curvatura do rio ouviam-se vozes e mais vozes incompreensíveis, mas que comandavam várias pessoas.
 Via-se no banquete a disputa do tateto sem vida. À espreita a onça. Os pássaros se aquietaram nas árvores. O sol se quebrava por entre as árvores de marmeleiro.
Os homens nus de corpos ágeis e pintados de urucum dançaram após a refeição num ritual de conquista e satisfação. As mulheres de cabelos negros e olhos brilhantes tinham sinais de sangue marcado no rosto e no peito, símbolo da caça que realizaram. O desafio marcava suas faces queimadas de sol.
 Após a refeição, os guerreiros se retiraram sem olhar para elas. E avançaram pela mata cavando um longo túnel para proteção da aldeia. As mulheres se juntaram à beira do rio para lavar o milho que adormecera por alguns dias nos cestos de palha. Os grãos esperavam o calor do fogo. O cheiro de milho assado e batido no soque pelas mãos das mulheres da aldeia espalhou-se ao longo do rio. Gritos de alegria se ouviam ao longe...
 Mas, de repente uma chuva fina e fria despencou por sobre as árvores e aos poucos os trovões e raios do deus Tupã apavoraram os desbravadores da terra de marmeleiro. Era tanta água! E o rio foi serpenteando e tomando outros espaços. Os curumins já não podiam mais pescar. Todos se aquietaram nas ocas esperando o deus da chuva se acalmar. A chuva desabara o túnel de proteção da aldeia.
E no verão os jovens guerreiros Caigangues deram seu grito de guerra. E ao redor do rio podia-se ver o marmeleiro, o ipê amarelo, a erva-mate, o angico, a palmeira, a samambaia, as amoras, o caraguatá, o marmeleiro...
Porém, agora só restava a batalha da disputa. E aos poucos os índios e os bugres foram desmatando novos caminhos à procura de Naipi, a deusa das águas, a índia mais bela dos Caigangues, que se banhara nas águas do rio Marmeleiro, abençoando todas as árvores ao seu redor.
 Mas Naipi andou de lá para cá e de cá para lá com sua tribo e se entregou ao amor de Tarobá e se transformou em uma rocha das Cataratas do Iguaçu e ele numa palmeira – ambos castigados por se amarem e desafiarem Mboi, o deus de forma de serpente.
E as histórias se sucederam...
De repente se ouviu ao longe a batida do facão cortando as matas, a foice e o machado singravam o céu. Árvores caíam. A gralha azul voou desabaladamente. Pequenas casas se organizavam ao longo do rio.  Vozes se agitavam. O carro de boi avançava. Gritos. Lamentos. Um choro de criança cortou a imensidão... Nova vida. Outras histórias...
Enquanto isso o rio Marmeleiro continuou margeando as diversas terras enquanto outros rios e terras com ele se juntaram e passaram a contar suas lendas no Sudoeste do Paraná.

Participação no Concurso Francisco Beltrão de Literatura -2011.