É difícil defender,
só com palavras, a vida.
[João Cabral de Melo Neto]
Quem sou eu
- Marina
- Marmeleiro, Sudoeste do Paraná, Brazil
- Profª de Língua Portuguesa e Pedagoga no Colégio Estadual de Marmeleiro onde construí parte da minha história. E porque sou alma de espírito livre que caminha nesse mundo em busca da essência que me apraz a liberdade, amo e escrevo poesias porque: Às vezes pinto-me nuvem, outras, estrela. Às vezes vida e flores Só pra te amar. Amo e adoro amar o amor. Sou mulher. Sou paixão. Sou Poesia. Sou poeta da poesia. E sou professora.
Hora certa!
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terça-feira, 31 de julho de 2012
sexta-feira, 27 de julho de 2012
Será que existe uma flor maior
Maior que meus sentimentos
cujo perfume inebriou nosso amor
no momento de êxtase
em que me dei a Você?
Doçura profunda de paixão
Encantamento doído de descoberta
Só Eu e Você
Aprisionados num momento de magia
Infinita – Eterna – Poesia do amor entre Você e Eu
Nós - num desleixo de Paixão.
Medo
Nasci do medo num momento qualquer
Vivo por medo essa vida esdrúxula
Que me impuseram nesses cantos obscuros
Do mais profundo útero
que me deu a vida.
Ando pela vida, olho de soslaio o Sol que brilha
E tenho medo que me mate seus fulgores...
Quedo-me nas brancas nuvens de sonhos
À procura de quem me diga
Como evitar o medo que me assola a alma
A angústia de quem vive, mas já morreu.
segunda-feira, 16 de julho de 2012
SOLIDÃO
E, de repente...
me transformo e me torno
em negrito.
Me canso de tanto tempo sem mim
sem você
e me busco pra além de todos os horizontes
da solidão
embora já vislumbre o brilho do Sol
e da Lua
me vejo na distante estrela perdida no espaço
num espaço qualquer
de solidão infinita desta noite
sem fim.
E, de repente...
me transformo e me torno
em negrito.
Me canso de tanto tempo sem mim
sem você
e me busco pra além de todos os horizontes
da solidão
embora já vislumbre o brilho do Sol
e da Lua
me vejo na distante estrela perdida no espaço
num espaço qualquer
de solidão infinita desta noite
sem fim.
quinta-feira, 12 de julho de 2012
Conto que conto de Marmeleiro
Mata fechada. O cheiro de pinheiros recendia por entre as árvores que se desenhavam sob a luz do sol num céu azul cinzento e frio de junho. O solo estava úmido da chuva que caíra durante a noite. A umidade dava brilho às pequenas plantas coloridas rastejantes que se alimentavam da clorofila. Animais se divertiam de lá para cá se alimentando dos pinhões que caíam despretensiosamente povoando a terra com seus frutos. Os tatetos então faziam a festa! Podia-se ouvir ao longe o canto da gralha azul.
De repente o rugido da onça pintada causou um reboliço danado entre os bichos que desabalaram por entre a mata, cada um procurando salvar-se do terrível felino que estava à caça para alimentar-se e aos filhotes esfomeados pela falta de alimentação naquele inverno do ano 1800.
A chuva castigava a mata que vergava sem proteção deitando-se sobre a terra molhada. A água distribuía poças entre galhos, folhas e flores que aos poucos fugiam como meninas desobedientes e corriam em busca de novos espaços – um riozinho aqui, outro ali esburacara a terra. A terra indefesa então se abria às águas lentamente desafiando aquele mundão de mata verde abençoadas pelo sol e pelas estrelas. E uma nascente se formou. E aos poucos a água cristalina desceu desabaladamente as encostas, rompendo barreiras, abrindo espaço para vencer os desafios de se transformar em rio.
E a Terra girou e as estações se sucederam. O rio cresceu sulcando os espaços por onde passava... Às suas margens novas plantas e árvores floresciam. Era tanta riqueza em fauna e flora por ali, que surgira um mundo sobrenatural naquelas matas a ser descoberto.
E o que mais encantava a beira do rio eram as árvores de folhas pequenas e muito verdes que cresciam à sua margem. Os pássaros dançavam ao seu redor e fazia os ninhos entre os galhos frondosos do marmeleiro, a árvore verde sob o céu azul.
De repente passos rápidos quebraram o silêncio da mata. Tudo se aquietou para ouvir além do barulho das águas que corriam silenciosas, aqueles passos que não se importavam com os obstáculos que lhes impunha a natureza.
As pequenas passadas ligeiras deixavam para trás marcas de sua passagem. Um e mais outro, e outro, e mais outro. E no final da trilha na curvatura do rio ouviam-se vozes e mais vozes incompreensíveis, mas que comandavam várias pessoas.
Via-se no banquete a disputa do tateto sem vida. À espreita a onça. Os pássaros se aquietaram nas árvores. O sol se quebrava por entre as árvores de marmeleiro.
Os homens nus de corpos ágeis e pintados de urucum dançaram após a refeição num ritual de conquista e satisfação. As mulheres de cabelos negros e olhos brilhantes tinham sinais de sangue marcado no rosto e no peito, símbolo da caça que realizaram. O desafio marcava suas faces queimadas de sol.
Após a refeição, os guerreiros se retiraram sem olhar para elas. E avançaram pela mata cavando um longo túnel para proteção da aldeia. As mulheres se juntaram à beira do rio para lavar o milho que adormecera por alguns dias nos cestos de palha. Os grãos esperavam o calor do fogo. O cheiro de milho assado e batido no soque pelas mãos das mulheres da aldeia espalhou-se ao longo do rio. Gritos de alegria se ouviam ao longe...
Mas, de repente uma chuva fina e fria despencou por sobre as árvores e aos poucos os trovões e raios do deus Tupã apavoraram os desbravadores da terra de marmeleiro. Era tanta água! E o rio foi serpenteando e tomando outros espaços. Os curumins já não podiam mais pescar. Todos se aquietaram nas ocas esperando o deus da chuva se acalmar. A chuva desabara o túnel de proteção da aldeia.
E no verão os jovens guerreiros Caigangues deram seu grito de guerra. E ao redor do rio podia-se ver o marmeleiro, o ipê amarelo, a erva-mate, o angico, a palmeira, a samambaia, as amoras, o caraguatá, o marmeleiro...
Porém, agora só restava a batalha da disputa. E aos poucos os índios e os bugres foram desmatando novos caminhos à procura de Naipi, a deusa das águas, a índia mais bela dos Caigangues, que se banhara nas águas do rio Marmeleiro, abençoando todas as árvores ao seu redor.
Mas Naipi andou de lá para cá e de cá para lá com sua tribo e se entregou ao amor de Tarobá e se transformou em uma rocha das Cataratas do Iguaçu e ele numa palmeira – ambos castigados por se amarem e desafiarem Mboi, o deus de forma de serpente.
E as histórias se sucederam...
De repente se ouviu ao longe a batida do facão cortando as matas, a foice e o machado singravam o céu. Árvores caíam. A gralha azul voou desabaladamente. Pequenas casas se organizavam ao longo do rio. Vozes se agitavam. O carro de boi avançava. Gritos. Lamentos. Um choro de criança cortou a imensidão... Nova vida. Outras histórias...
Enquanto isso o rio Marmeleiro continuou margeando as diversas terras enquanto outros rios e terras com ele se juntaram e passaram a contar suas lendas no Sudoeste do Paraná.
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