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terça-feira, 10 de julho de 2012

SER ENCANTADO


Beijo sua boca

Você me beija com beijos encantados da minha boca

Abraço-te num abraço

Seus braços me abraçam com braços encantados dos meus braços
Rolamos, dançamos a dança encantada da paixão
celebramos o amor
entre beijos e toques sem tabus ...
nos lençóis do nosso amor brilha a luz da lua cheia
que incendeia a paixão.
Brindamos a vida entre suaves odores e doces gemidos...
nos enamoramos
encantados na ilusão,
de que o mundo lá fora:

Parou.


Poema-Prosa

Meus sonhos,
meus moinhos de vento
Meus sonhos movem-se lentamente
meus moinhos de sonhos
Meus moinhos de farinha de beiju.
Meus sonhos!
Meus moinhos ainda vivem na lembrança
que carrego pesadamente nas costas:
as velhas sacas de farinha
pra moer os sonhos depositados no monjolo.
O tempo passou...
 - Não mais sou Dom Quixote.
 -Nem Dulcinéia.

Onde estão meus sonhos?
Morreram os moinhos d´água.
Morreram os soques de farinha.
Morreram os monjolos
e os beijus torradinhos com açúcar amarelo
das avós que adoçavam
os beijos de paixão no calor do forno
e no sapeco da erva-mate.
Morreu a tradição.
E agora nos restam os Moinhos de Vento -
- Eólicos a enfeitar os velhos campos
Luto mais contra os moinhos de vento
que me atormentam a razão.
Cadê meu Sancho Pança?

Tão bom era ser criança!
E ouvir as histórias dos velhos moinhos
Que socavam a farinha para o beiju
A farinha de beiju
E polvilhavam docemente os sonhos
De quem ainda tem história para poetisar.

Poema escrito a partir das histórias contadas por minha mãe.
Marmeleiro, 10.07.12
                  Canto o canto de outros cantos


Canto o canto da palavra
Choro o choro da poesia
Rio o riso da beleza
Pinto a cara da disfarçatez
Volto à volta de quem me ama
Entrego-me a verdade de suas pernas
Beijo os lábios da saudade
Olho os olhos negros do silêncio
Busco a verdade que não foi dita
Canto o canto da beleza
Acaricio o ventre que dá a vida
Beijo o seio que alimenta
Entrelaço as mãos que acariciam
Olho os olhos que desejo
Sinto o cheiro de quem ama
Quero o brilho da paixão
Agarro os cabelos da alegria
Vivo a sede dos embriagados
Canto o canto da descoberta
Quero o desejo da inocência
Sonho o sonho dos puritanos
Sofro a paixão dos inocentes
Penso na vida de quem não ama
Firo o sentimento dos desalmados
Desarmo a grandeza dos perdidos
Não me escandalizo com a sensualidade
pois, sou poeta
e
canto apenas canto,
o canto da Palavra
POESIA.

Marina

Texto publicado pelo Jornal de Beltrão, 17.06.12, domingo.



terça-feira, 17 de abril de 2012

Haicai


Ipês floridos
Festa das lanternas!
Os ipês se iluminaram
de globos cor-de-couro.
Helena Kolody

Tudo o tempo leva
A própria vida não dura
Com sabedoria
Colhe a alegria de agora
para a saudade futura.
(Helena Kolody)

sexta-feira, 23 de março de 2012

À Chico Anísio


Palavras de um homem que nos ensinou a alegria de rir e a nos emocionar com a alegria de rir.
"Não tenho medo de morrer. Sinto apenas não poder ver meus netos e bisnetos crescerem. Ninguém é insubstituível."
Obrigada Mestre Chico. Você muitas vezes me ensinou a rir e com sua alegria, a beleza que nos rodeia.